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O humor é o bem que a maturidade constrói

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A vida implica em não morrermos de véspera, ou seja, em construirmos um aparelho mental capaz de possuir uma sensação de prazer diferenciada de um alívio como uma mera descarga de tensão. Nos construímos através dos desafios transformadores diante das inquietações inovadoras. Desafios não engendrados por competição, mas por superação do passado, ou seja, por pequenos lutos.          Foto: Reprodução É comum algumas pessoas acreditarem que conseguem superar o passado, se vingando de frustrações experimentadas na passividade, sem escolha. Foi exatamente nesse ponto que a psicanálise abriu uma nova possibilidade. Sigmund Freud observou que não eram os acontecimentos que simplesmente provocavam um sofrimento. Mas a complexidade com a qual cada pessoa toma a realidade material à sua frente e pode torná-la uma sofredora ou uma pessoa madura. A maturidade emocional não é algo adquirido de maneira simples, apenas pela passagem do tempo, mas um t...

Autômatos ou autônomos

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            Em tempos onde a individualidade é confundida com o individualismo, percebemos o quanto é difícil considerarmos o limite ente o egoísmo e a independência. Medo e culpa   são sentimentos com os quais precisamos lidar a fim adquirirmos coragem para nos posicionamos e definirmos nossas atitudes, aliás, as únicas que podemos escolher. Porém, o excesso de informações e mudanças no Globo nos atordoa e estamos muito mais do que inseguros. Foto: Reprodução Observamos duas manifestações freqüentes diante do atordoamento que a invasão de privacidade provoca: sensações paranóides ou de arrogância. Em psicanálise, a falta de amadurecimento psíquico diante de um excesso de estímulo atinge a intimidade, porque essa ainda não está bem revestida pela possibilidade de diferenciar o externo do interno. A nossa autonomia vai se desenvolvendo pelo controle esfincteriano, a locomoção e, principalmente, pelo pensamento, porque é...

‘Meu sonho é ser imortal e morrer logo depois”

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  “Meu sonho é ser imortal e morrer logo depois” frase do filme de Jean Luc Godard, Acossados, proferida pelo personagem de Jean Pierre Melville          A imortalidade...nem é considerada um desejo em psicanálise, pois a mortalidade nem está representada em nosso Inconsciente. Ideia muito complexa trazida por Sigmund Freud em 2019 no texto Das Unheimliche [i] . Não possuímos experiência de nossa própria morte, somente de perdas ou de ‘quase’ morte. O que é ‘quase’?, ainda não aconteceu. Jean- Paul Belmondo em cena do filme de Jean-Luc Godard . Foto Reprodução Só podemos acreditar na mortalidade ou na imortalidade, sem ver pra crer. Vivenciamos a perda e a morte dos outros, mas não a própria. A imortalidade só poderemos ver para acreditar se ela ocorrer de fato.   Real mesmo e, em gerúndio, temos apenas a vida. Crenças são os pensamentos que produzimos com argumentos que não fazem parte de nossa memória criada a partir de ...

Veja o que fizeram de mim

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Em um momento onde o mundo presta atenção nos próximos atos, é necessário uma reflexão sobre as palavras. A propriedade mais livre que possuímos são os nossos pensamentos, constituídos por uma sequência delas a fim de darem um significado a um projeto. Nossos sentimentos acontecem, algumas vezes provocados pelos acontecimentos, porém cabe a nós escutá-los a fim de torná-los também terra própria. Hoje, o limite entre o ato e as sensações está cada vez mais borrado. A psicanálise foi desenvolvida a partir da investigação sobre o sentido sobre a falta de autonomia de uma pessoa diante de sua vida e hoje suas descobertas são usadas de maneiras encobertas. Cena do filme Dunkirk/Warner Bros          Há uma pressão cultural que vitimiza as pessoas tornando-as reféns de uma ideia de que o seu sofrimento é resultado de algum acontecimento. Esse é o resultado de uma pesquisa de antropólogos franceses Fassin e Rechtmann [i] que marcaram o quanto ...

O tempo não pára

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         O tempo não pára. Quando sentimos que a velocidade de sua passagem se acelera, pode ser o alarme necessário para mudamos a nossa maneira de marcá-lo. A diferença entre um relógio e um calendário está na repetição do movimento. Sigmund Freud, em 1915, escreveu um texto curto [i] sobre uma conversa, com dois amigos, estabelecida a partir de uma caminhada num dia de verão. Ele posicionou que o valor da transitoriedade está no valor escassez do tempo e compreendeu que, por outro lado, a resistência a fazer luto pelo que é perdido pode tornar qualquer momento presente efêmero.          Calendário Egípcio : Foto Reproduação Os ponteiros do relógio retornam ao mesmo lugar, porém a data no calendário, não. Os últimos dias de um ano podem parecer dias comuns ou um dia especial, assim como qualquer momento que percebermos que não retorna. O que não é apenas descartável,   exatamente por isso...

Sinto, logo existe, pode ser um engano

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         Dar valor as sensações compreende utilizá-las como ponto de partida para uma investigação. Sigmund Freud criou a psicanálise através do conceito de inconsciente que ultrapassa muito a concepção de que  a ele correspondem apenas  idéias as quais não foram dadas a devida atenção. Ele observou que o ponto de vista que possuímos de algum acontecimento pode estar confundido com fantasias, porque podemos ter fugido um dia de alguns desprazeres. Foto: Reprodução Sinto, logo existe, pode ser um engano. O sentimento existe, porém a sua fonte pode não estar naquilo que a pessoa acredita que acontece. Sinto que Fulano me frustrou: um engano, pois fui eu quem me frustrei com Fulano. Parece sutil a diferença, porém é fundamental no que se refere à liberdade de alguém diante de si mesmo. Se alguém sente uma ira ou uma angústia incontrolável por conta de uma frustração, as razões são inconscientes e não podem ser unicamente localizad...

Dívidas com Ideais

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         O sentimento inconsciente de culpa é um conceito trabalhado em Psicanálise a partir da observação de que uma diminuição no sofrimento  de alguns pacientes provocava uma resistência ao progresso do tratamento. Essa contradição foi investigada. Inicialmente, pontuamos que a palavra utilizada na língua Alemã para culpa Schuld pode também ser traduzida por dívida.          Foto: Reprodução Nenhum ato cometido pode ser desfeito por outro. Essa é a noção de realidade, história e temporalidade que precisamos enfatizar. Um acontecimento presente sempre será um acontecimento passado. No próximo instante podemos repensá-lo, mudar nosso ponto de vista, nossas próximas atitudes. Mas as que já foram não são modificáveis. Há uma impotência nossa diante do passado e isso é um limite a ser sempre considerado para nossa saúde.   Um castigo não modifica o mal cometido em um ato. É nesse momento ...