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A Primeira Pessoa do Plural

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         Nesse tempo, a possibilidade de utilização do pronome Nós necessita ser considerada, pois paradoxalmente, persiste uma polarização no pensamento. Todos somos o alvo de uma guerra travada contra o invisível e há uma resistência grande ao Nós . Portanto, a reflexão sobre o Eu e o Eles em psicanálise parece prudente.          Primeira Guerra Mundial - site Dom Total Sigmund Freud considerou que a distinção entre o Eu e mundo externo é realizada na medida em que a vida psíquica vai ganhando força. No início, o Eu ama somente a si próprio e o mundo externo coincide com o que é indiferente, ou mesmo, enquanto fonte de estímulos, como algo desagradável [i] . A realidade vai sendo percebida a partir das formas como os critérios que diferenciam o externo e o interno vão sendo utilizados e modificados. Primeiro, não há critério de distinção, há somente indiferença, o Eu não é apenas considerad...

Somos transmissores

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  Sigmund Freud [i] , ao visualizar a Estátua da Liberdade quando chegou à Nova York, formulou a seguinte frase proferida a um discípulo: ‘Eles não sabem que estamos trazendo a peste’. Retomamos essa afirmação para refletirmos sobre o quanto as ideias são transmitidas com imensa facilidade como vírus, independente de sua potencialidade ser boa ou má para sociedade. Foto: Reprodução Em tempos em que um vírus não conhecido pelo corpo humano se prolifera com facilidade e vai assustando o mundo, cada um se protege do contato físico. Um aperto de mão, um abraço ou uma proximidade física marcavam a presença de uma companhia e de uma cumplicidade. Hoje, cada vez mais, a presença do outro precisa estar repensada dentro de cada um para que um afastamento concreto seja realizado e a proximidade humana seja concretizada por essa ação. É necessário para uma proteção efetiva contra o vírus que pode matar,   que os conselhos não ingressem apenas por ordens a serem obedecidas, mas...

O humor é o bem que a maturidade constrói

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A vida implica em não morrermos de véspera, ou seja, em construirmos um aparelho mental capaz de possuir uma sensação de prazer diferenciada de um alívio como uma mera descarga de tensão. Nos construímos através dos desafios transformadores diante das inquietações inovadoras. Desafios não engendrados por competição, mas por superação do passado, ou seja, por pequenos lutos.          Foto: Reprodução É comum algumas pessoas acreditarem que conseguem superar o passado, se vingando de frustrações experimentadas na passividade, sem escolha. Foi exatamente nesse ponto que a psicanálise abriu uma nova possibilidade. Sigmund Freud observou que não eram os acontecimentos que simplesmente provocavam um sofrimento. Mas a complexidade com a qual cada pessoa toma a realidade material à sua frente e pode torná-la uma sofredora ou uma pessoa madura. A maturidade emocional não é algo adquirido de maneira simples, apenas pela passagem do tempo, mas um t...

Autômatos ou autônomos

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            Em tempos onde a individualidade é confundida com o individualismo, percebemos o quanto é difícil considerarmos o limite ente o egoísmo e a independência. Medo e culpa   são sentimentos com os quais precisamos lidar a fim adquirirmos coragem para nos posicionamos e definirmos nossas atitudes, aliás, as únicas que podemos escolher. Porém, o excesso de informações e mudanças no Globo nos atordoa e estamos muito mais do que inseguros. Foto: Reprodução Observamos duas manifestações freqüentes diante do atordoamento que a invasão de privacidade provoca: sensações paranóides ou de arrogância. Em psicanálise, a falta de amadurecimento psíquico diante de um excesso de estímulo atinge a intimidade, porque essa ainda não está bem revestida pela possibilidade de diferenciar o externo do interno. A nossa autonomia vai se desenvolvendo pelo controle esfincteriano, a locomoção e, principalmente, pelo pensamento, porque é...

‘Meu sonho é ser imortal e morrer logo depois”

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  “Meu sonho é ser imortal e morrer logo depois” frase do filme de Jean Luc Godard, Acossados, proferida pelo personagem de Jean Pierre Melville          A imortalidade...nem é considerada um desejo em psicanálise, pois a mortalidade nem está representada em nosso Inconsciente. Ideia muito complexa trazida por Sigmund Freud em 2019 no texto Das Unheimliche [i] . Não possuímos experiência de nossa própria morte, somente de perdas ou de ‘quase’ morte. O que é ‘quase’?, ainda não aconteceu. Jean- Paul Belmondo em cena do filme de Jean-Luc Godard . Foto Reprodução Só podemos acreditar na mortalidade ou na imortalidade, sem ver pra crer. Vivenciamos a perda e a morte dos outros, mas não a própria. A imortalidade só poderemos ver para acreditar se ela ocorrer de fato.   Real mesmo e, em gerúndio, temos apenas a vida. Crenças são os pensamentos que produzimos com argumentos que não fazem parte de nossa memória criada a partir de ...

Veja o que fizeram de mim

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Em um momento onde o mundo presta atenção nos próximos atos, é necessário uma reflexão sobre as palavras. A propriedade mais livre que possuímos são os nossos pensamentos, constituídos por uma sequência delas a fim de darem um significado a um projeto. Nossos sentimentos acontecem, algumas vezes provocados pelos acontecimentos, porém cabe a nós escutá-los a fim de torná-los também terra própria. Hoje, o limite entre o ato e as sensações está cada vez mais borrado. A psicanálise foi desenvolvida a partir da investigação sobre o sentido sobre a falta de autonomia de uma pessoa diante de sua vida e hoje suas descobertas são usadas de maneiras encobertas. Cena do filme Dunkirk/Warner Bros          Há uma pressão cultural que vitimiza as pessoas tornando-as reféns de uma ideia de que o seu sofrimento é resultado de algum acontecimento. Esse é o resultado de uma pesquisa de antropólogos franceses Fassin e Rechtmann [i] que marcaram o quanto ...

O tempo não pára

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         O tempo não pára. Quando sentimos que a velocidade de sua passagem se acelera, pode ser o alarme necessário para mudamos a nossa maneira de marcá-lo. A diferença entre um relógio e um calendário está na repetição do movimento. Sigmund Freud, em 1915, escreveu um texto curto [i] sobre uma conversa, com dois amigos, estabelecida a partir de uma caminhada num dia de verão. Ele posicionou que o valor da transitoriedade está no valor escassez do tempo e compreendeu que, por outro lado, a resistência a fazer luto pelo que é perdido pode tornar qualquer momento presente efêmero.          Calendário Egípcio : Foto Reproduação Os ponteiros do relógio retornam ao mesmo lugar, porém a data no calendário, não. Os últimos dias de um ano podem parecer dias comuns ou um dia especial, assim como qualquer momento que percebermos que não retorna. O que não é apenas descartável,   exatamente por isso...