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Conquistas a partir de mudanças

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Os compositores e poetas talvez se sintam os ‘últimos românticos’ [i] Ainda bem que não o são. Recordaremos algumas mudanças no lugar do amor romântico que provocam entusiasmo. Foto: Reprodução O amor possui hoje a perspectiva de encontrar a sua forma mais ativa nas mulheres nas últimas décadas. Ao nos remetermos aos anos 70, alguns irão recordar, outros   imaginar, por não terem ainda nascido nessa época, o fato de que as mulheres precisavam de um homem para assinar qualquer solicitação de crédito. Mesmo que a mulher já possuísse renda, a impossibilidade de se movimentar como alguém confiável e independente ainda era evidente. Sem acesso a um lugar próprio, dizia-se que uma mulher tinha ficado para ‘titia’ por não ter um marido que pudesse assinar por ela. O casamento era um meio de aquisição de um lugar onde cada uma pudesse ser dona de um lar, ainda que não de si. Quando isso não acontecia, as mulheres permaneciam em um lugar de servidão ao pai ou a algum outro homem...

Para voar é preciso um tempo de muda

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As aves possuem um tempo de muda [i] , período onde as penas são renovadas a fim de sustentar novos vôos em outras situações climáticas. Para os humanos que possuem uma condição de movimento, sair concretamente de um lugar parece algo banal, porém, ao refletimos sobre o que significa de fato se mexer, percebemos o quanto mudar e deixar para trás uma situação cômoda, em um tempo que já passou, é algo complexo e muito necessário para quem deseja voar com mais leveza. ‘Só quem vive bem os agostos é merecedor de primavera.’ [ii] Foto: Reprodução Dizem que o cativeiro para os pássaros aciona uma troca de plumagem mais rápida por não necessitarem das penas para voar. Assim também em nós, diferenciamos as mudanças rápidas realizadas em obediência das mais profundas comandadas pela liberdade ao amadurecer e que não acontecem na pressa. Mudanças superficiais muitas vezes são as responsáveis pela servidão a uma rotina que amarra alguém a um passado. Antigamente, ao mudarmos as estaçõ...

Saber dizer não sem birra

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         São muitas as pessoas que afirmam possuir dificuldade em dizer não quando possuem escolha. Elas justificam a sua submissão à indiferença, diante de um posicionamento, alicerçadas no medo de desagradar alguém. Certa vez, construí um texto ao refletir sobre a palavra submissão, marquei que existe uma missão encoberta por ela. Foto: Reprodução Uma criança apresenta birra ao não aguentar os limites impostos pela realidade e tenta se proteger do que acredita ser a fonte deles: os pais ou a própria situação, através da recusa a sua mobilidade. Da mesma forma, estranhamente, um adulto também pode se enxergar amarrado por não conseguir dizer não, mesmo que não esteja sendo de fato violentado em seus direitos, mas porque, provavelmente, procura o submetimento como uma birra, uma defesa a outro ataque: feito por si mesmo ao desrespeitar o valor de sua identidade. O medo nesse último caso é de existir. Há uma diferença entre aceitar uma...

Destinados a mudar

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A palavra destino possui dois sentidos interessantes: podemos utilizá-la para nomear o lugar onde queremos chegar ou para falar de uma força que está além da nossa. A relação de cada um com a realidade pode se tornar menos sofrida quando não se faz confusão entre esses dois significados.       Foto: Reprodução     Em alemão, Schicksal é traduzido como destino e traz a ideia de sorte, Ziel também é um termo   traduzido como destino, mas corresponde a meta, quando queremos dizer que estamos nos dirigindo a um rumo. Iremos nos apoiar nessa outra língua para demarcar uma diferença fundamental: o que está na realidade, além das nossas forças, e não pode ser encarado com um objetivo de mudança ou um destino como um alvo abastecido por nosso desejo. Podemos dizer que nosso destino é ter nascido em Porto Alegre ou, quando estamos decididos a ir a Porto Alegre, também esse será o nosso destino. No primeiro caso, alguém não é responsável p...

O amor é como um horizonte

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      Os poetas portugueses sempre aproximaram o tema do amor ao da arte da navegação. É impressionante imaginarmos que o horizonte dos descobridores de novas terras era apenas uma linha reta que contemplava uma estabilidade que os inquietava.     Certa vez, a minha ignorância sobre aviões fez com que eu construísse uma metáfora preconceituosa sobre pilotagem de aeronaves. Depositava, nos aparelhos, a responsabilidade das informações e considerei esse ofício cercado de muitos rituais e obediência. Foi, somente quando alguém que ama a arte de voar me sacudiu, me mostrando que não há rotina quando se ama. Recordou o que eu já sabia, mas, resistia como todos amantes da revelação das peculiaridades de minúcias encobertas por nossa tendência humana a construir uma síntese. Um psicanalista é curioso pelo sentido abafado por uma aparente repetição no discurso de alguém, como um piloto, um navegador, ou  um amante do ofício aventureiro de um investigador, cuja...

A maturidade psíquica é como uma semente dentro de um fruto maduro

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         Foto: Reprodução As frutas, a fim de serem consumidas mais pelos humanos do que pelos pássaros, são estudadas em seu amadurecimento para que possam sobreviver longe à natureza de sua concepção. Há um programa genético para o fruto amadurecer, revelador do momento em que ele deixa de ser um protetor de sementes para ser transformado em um sedutor de animais. Esse é o instante mais profundamente pesquisado hoje, com objetivo de que o período onde o fruto está maduro possa ser regulado por relações comerciais. Utilizaremos essa metáfora para refletirmos sobre a maturidade psíquica, aquela que nem sempre anda no mesmo ritmo da maturidade física e pode estar regulada por uma sociedade manipuladora de interesses.          O ideal de consumo hoje parece ser o de ter um corpo jovem,   marcado biologicamente para reproduzir e, portanto, seduzir. O ser humano adquiriu maior longevidade, porém,...

Empreender: determinação ou teimosia

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          Determinação ou teimosia: esse é um dilema importante em momentos de decisão ou quando nos observamos sem a perspectiva de  uma desistência. Consideramos essa diferença uma estrutura importante para refletirmos sobre a nossa persistência para seguirmos com um projeto empreendedor. O medo do risco pode ser confundido com o medo de perder algo que já está perdido. A ilusão de estabilidade, a fim de manter uma negação do que já está falido, alimenta, muitas vezes, uma teimosia baseada na vaidade conquistada com um engano. Ao empreender, a falência do passado deve estar no presente a fim de doar espaço à humildade diante do futuro, não sendo mais esse último medido pela duração do tempo, mas pela grandeza da vitalidade dos desejos. Burro  personagem fictício da série de filmes Shrek Quem mantém um sofrimento por medo é teimoso, não por assim ter decidido, mas pela impossibilidade de cultivar em si sonhos inovadores. Mulas ...